2 de dezembro de 2011

O irracional dos racionalismos - parte 2

Dando continuidade aos meus comentários ao texto O racionalismo dos irracionais, de Felipe Sabino de Araújo Neto, aos quais dei início na primeira postagem desta série, começarei o presente texto com uma reflexão a partir de um brevíssimo relato. No início deste ano, tive oportunidade de conversar com um cristão que já foi esotérico, tendo se convertido a Cristo já na idade adulta. Em certo ponto, a conversa se encaminhou para a questão do evolucionismo, e ele me disse algo mais ou menos assim: "Eu era evolucionista antes de me converter e, mesmo depois de convertido, continuei sendo evolucionista por muito tempo." Ora, eu compartilho da convicção, comum a muitos cristãos, de que o evolucionismo é incompatível com a fé cristã. Como, então, devo entender o testemunho desse irmão? Uma opção possível seria negar que ele era cristão de fato antes de deixar a crença evolucionista, ou considerar que ele foi um herege enquanto isso não aconteceu. E, caso me recusasse a crer nessa possibilidade, poderia concluir que meu juízo anterior estava errado, ou seja, que o cristianismo é, na verdade, indiferente à questão da evolução. Uma alternativa a tudo isso seria julgar que, embora o cristianismo de fato implique em uma dada posição sobre a questão, a importância desse posicionamento é relativamente reduzida, assim como ocorre, por exemplo, com a questão do pedobatismo.

Não sei qual dessas possibilidades seria a preferida por cada um de meus leitores cristãos, mas eu, na verdade, não aceito nenhuma delas. Creio que existem cristãos verdadeiros que são evolucionistas, os quais não são hereges; e, no entanto, existe entre o cristianismo e o evolucionismo uma incompatibilidade muito mais importante e grave que qualquer erro possível sobre a questão do batismo infantil.


Isso é contraditório de minha parte? Talvez pareça que sim, se estiver em foco tão somente a coerência teórica formal do sistema teológico e filosófico que compõem a cosmovisão de um cristão. Não há contradição alguma, contudo, se o problema for visualizado em uma perspectiva mais abrangente, isto é, levando em conta a natureza da relação pessoal que Deus estabelece com aqueles a quem adotou como filhos. Afinal, todos sabemos que a regeneração não nos torna instantaneamente perfeitos, de modo que continuamos pecando até o fim da vida. Da mesma forma, como todos concordamos - inclusive Sabino, como demonstra sua segunda citação de Rushdoony -, o intelecto também caiu em Adão e também é redimido em Cristo, como todos os demais elementos de nossa natureza. Assim, a santificação de nossa cosmovisão também é um processo que toma a vida toda e não se completa jamais neste mundo, de modo que é perfeitamente natural que até cristãos maduros tenham opiniões tremendamente erradas sobre temas que não são de importância trivial, assim como é possível que tenham inclinações pecaminosas graves em outras áreas da vida. Se há cristãos caluniadores, cegos ou hipócritas, não há por que não haver também cristãos evolucionistas.


É claro que não se pode dizer o mesmo de qualquer doutrina cristã. Não vejo de que maneira, por exemplo, um cristão realmente convertido possa não crer na ressurreição corpórea de Cristo, ou na Trindade, ou na salvação pela graça, ou ainda, para início de conversa, em sua própria pecabilidade. Vários outros exemplos de doutrinas fundamentais poderiam ser dados. Mas o que importa enfatizar neste momento é que, em minha opinião, quanto a esse aspecto, o racionalismo é mais semelhante ao evolucionismo que a uma visão equivocada sobre a Trindade ou o batismo de bebês: não é um erro de pouca importância, e tampouco é de natureza tal que impeça alguém de ser um cristão verdadeiro. Dada essa situação, não é difícil ver que nada há de intrinsecamente absurdo na hipótese de alguém ser teólogo e pastor reformado, crente na absoluta inerrância e suficiência da Bíblia e, contudo, racionalista. Ou, se há algo de absurdo nisso, esse algo não está onde o artigo de Sabino o colocou. Ser racionalista não necessariamente faz de alguém um herege, nem desqualifica sua regeneração; apenas é sintoma de uma deficiência um tanto grave na cosmovisão dessa pessoa, como também ocorre com a adesão do cristão ao evolucionismo. Essa é uma das razões pelas quais usei este último erro como exemplo para ilustrar o status que atribuo ao racionalismo quanto a esse aspecto.


A outra razão é mais subjetiva, mas nem por isso menos relevante, já que o pensamento que estou tentando esclarecer é o meu próprio: ambas as questões tiveram grande importância em minha trajetória pessoal, começando pelos temas estritamente intelectuais e indo até os mais profundos recessos de meu espírito. Como já mencionei
antes, o evolucionismo foi a primeira grande questão intelectual de minha vida. E, como hoje percebo, isso só foi possível graças à minha inclinação racionalista, cujas consequências se espraiam para muito além de meras questões científicas e teorias sobre a origem dos organismos. É por isso, e por várias outras razões, que no terceiro parágrafo da parte 4 de O direito ao mistério eu deixei entrever um pouco de minha própria história, ao declarar sobre o racionalismo: "Trata-se, devo dizer, de um velho conhecido meu. Encontrei-o ainda na adolescência, e o Departamento de Física que frequentei por cinco anos em nada me incentivou a abandoná-lo. O racionalismo foi a minha tentação intelectual até os vinte anos, e é por isso que conheço de perto, de dentro, o perigo espiritual que ele representa." E, no entanto, minha conversão se deu bem antes dos vinte anos. Talvez eu tenha sido regenerado ainda na infância. Isso tudo diz muito sobre o espírito de meus textos acerca do tema. Estará muito longe de uma compreensão adequada do que escrevo quem me ler sem perceber que está diante de um indivíduo profundamente racionalista em suas inclinações mais instintivas, as quais se manifestam ou se manifestaram em todas as áreas da vida - como as opiniões sobre epistemologia, o modo de lidar com conflitos familiares ou o planejamento dos estudos. Só quem me enxergar como um racionalista em processo - obviamente não completo - de remissão pela graça santificadora de Cristo poderá entender o que digo sob uma perspectiva adequada.

Com isso, está desfeita a razão mais básica que o artigo de Sabino apresenta com o intuito de negar o racionalismo de Clark ou outros: ele projetou em certas palavras de meus textos uma carga semântica e emocional que não lhes é própria. Convém, pois, prosseguir examinando as demais razões para a negação do racionalismo de Clark. Cabe lembrar, antes de tudo, que o já mencionado texto
A rejeição do racionalismo por Gordon H. Clark, de Phil Fernandes, tinha justamente esse propósito. Como mostrei em meu comentário a esse texto, Fernandes se utilizou de três argumentos para tanto, todos incapazes de provar sua tese. Em resumo, podemos descrevê-los assim: 1. Clark não era racionalista porque criticou filósofos racionalistas; isso nada prova, pois os racionalistas criticaram uns aos outros, sem deixarem de ser racionalistas por isso. 2. Os sistemas filosóficos erigidos pelos diversos filósofos racionalistas contradiziam-se entre si; mas esse segundo argumento, além de refutar o primeiro, também nada prova, pois ninguém jamais deixou de ser racionalista apenas por discordar de outros racionalistas. Esse argumento não tem valor em si, mas poderia tê-lo se fosse complementado por um esforço de mostrar que a natureza do desacordo de Clark é tal que desqualifica seu racionalismo. E Fernandes tentou fazer isso no argumento seguinte: 3. Clark não era racionalista porque não cria em ideias inatas, e sim em uma fonte de informações primárias externa à própria razão; porém, embora isso certamente o distinga dos racionalistas clássicos do século XVII, não faz com que ele tenha uma opinião diversa da deles "quanto ao papel, modo de funcionamento e poder de alcance potencial da razão" (cito a mim mesmo, do quarto parágrafo do comentário ao texto de Fernandes). Aliás, o próprio Clark sabia, como demonstra este outro texto do blog Monergismo, que essa não é a única acepção possível do termo "racionalismo". Portanto, Fernandes não apresentou nenhum argumento válido contra a ideia de que Clark era um racionalista, a não ser em um sentido demasiado restrito do termo.

Como mostram as duas citações feitas em
O racionalismo dos irracionais, Rushdoony concorda que Clark não é racionalista, mas com base em um argumento diferente de todos esses: ele defende esse ponto de vista com base na oposição de Clark à ideia da neutralidade da razão humana, que ele vê como essencial ao racionalismo. Diz Rushdoony: "O Cristo de Clark é mais do que a lógica, e sua visão do homem não é do homem como razão, mas do homem como uma unidade. Esse homem unificado é em todo o seu ser - emoção, vontade, intelecto, em todos os sentidos - um pecador em rebelião contra Deus, seu Criador." Contudo, eu jamais disse que Clark - ou qualquer outro dos calvinistas que acusei de racionalismo - defende a neutralidade da razão humana, ou considera que Cristo não é mais que a lógica, ou vê o homem como pura razão, ou vê essa razão como separada dos demais aspectos de seu ser, ou crê que ela não está naturalmente em rebelião contra Deus. Tampouco eu disse em algum lugar que essa neutralidade é um traço essencial do racionalismo. Portanto, quando digo que alguém é racionalista, não pode ser isso o que tenho em mente. E, por isso mesmo, não há nenhum sentido em usar essas palavras de Rushdoony para refutar minha afirmação.

Tentarei explicar isso um pouco melhor. É claro que nem Rushdoony nem Sabino são obrigados a usar o termo "racionalismo" no mesmo sentido que eu. Porém, isso não altera o fato de que quem quer que deseje refutar minha afirmação de que Clark é racionalista tem a obrigação de buscar entender primeiro o que eu quis dizer com isso, ou seja, qual é o sentido que dou à palavra. Citar um autor que a usa com uma conotação diversa não o ajudará em nada. Qualquer procedimento que não leve isso em conta desde o começo se assemelhará inevitavelmente à seguinte situação: perdido num vilarejo do interior, converso com um morador local e lhe conto que não consegui sacar dinheiro por não haver bancos naquele lugar. Ele contesta minha afirmação, dizendo que há, na praça local, nada menos que oito bancos. Animado, vou até lá, mas apenas para descobrir que não são agências bancárias, e sim autênticos bancos de praça, sobre os quais vejo velhinhos sentados para dar comida aos pombos e casais apaixonados namorando. De que modo essa bela cena prova que eu estava errado ao dizer que não havia bancos naquela vila?


Explicarei o que quero dizer com racionalismo no próximo post. Antes de encerrar o atual, porém, devo fazer só mais um esclarecimento. A citação de Rushdoony tem um propósito adicional no artigo, como o próprio autor explicita:


"A avaliação de Rushdoony é importante pois, além de um excelente teólogo e filósofo calvinista, ele era também um grande seguidor de Cornelius Van Til. Em algumas cartas, o próprio Van Til considera os elogios de Rushdoony a ele exagerados. Ou seja, não se trata de um vantiliano qualquer. Mas por que mencionar Van Til? Pois em geral os que acusam Clark de racionalista ou são vantilianos, ou compartilham de sua crença em paradoxos lógicos na Escritura."


Todos sabemos que, dentro do meio reformado, Cornelius Van Til foi o adversário por excelência do sistema de Clark, inclusive quanto às questões envolvendo os "paradoxos lógicos" na Bíblia e a natureza da razão humana. A função retórica da presença de Rushdoony no artigo do Monergismo é, portanto, muito simples: o que se deseja mostrar é que, se um dos vantilianos mais vantilianos que existiram - e, portanto, um dos que mais tinham razões para ser anticlarkianos - se recusa a chamar Clark de racionalista, só pode ser porque ele sabe que isso seria muito feio. Por conseguinte, dizer tal coisa é mesmo calúnia e xingamento, de modo que ninguém tem o direito de usar essa palavra ao se referir a Clark. Quanto a isso, limito-me a ressaltar que não sou um vantiliano e que tudo o que já li de Van Til em toda a minha vida não chegaria a cinco páginas. Por isso, ele teve tão poucas oportunidades de me influenciar que não tenho a menor ideia do que ele acharia da maior parte de meus argumentos. Inclusive, não sei se pensamos de modo igual ou mesmo semelhante quanto à questão dos paradoxos. É perfeitamente possível que eu esteja muito mais longe dele que de Clark. Minha ignorância sobre seu pensamento não me permite afirmar nada a respeito. Em vista de tudo isso, será inapelavelmente injusto qualquer efeito retórico que a citação de Rushdoony possa produzir no sentido de reprovar alguma de minhas asseverações sobre o racionalismo de Clark, ou de quem quer que seja.

24 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

André,

ficou faltando a definição do que seja "racionalismo" ... isso é uma aflição... esperar até a próxima postagem... [rsrs].

Bem, não concordo que se possa equiparar um evolucionista-teísta com um racionalista cristão, pois o E.T. tem de "negar" parte da Bíblia para adequá-la ao evolucionismo. Questões como a Queda, a morte e o pecado tomam outros "ares" diante do evolucionismo. Por isso, a maioria dos E.T's não reconhece como verdadeira e factual os primeiros capítulos do livro de Gênesis. O que compromete toda a cosmovisão cristã, e, nesse caso, os proponentes do ET são racionalistas no sentido que dou ao termo, com maior ou menor potencial: incrédulos!

Muitos homens foram e serão salvos sem ao menos se dar conta da questão, ou questões, que você levanta, e entrar por essa seara é realmente perigoso. Por que Deus salva o ignorante? Por que Deus salva o erudito? Por que Deus assim quer, e pronto! É uma resposta simplista, mas é assim que a Bíblia descreve o problema. Deus salva quem e como quer, capacitando-o a reconhecer Cristo como Senhor e Salvador. Mas entendo que a descrença em alguma porção bíblica, seja em maior ou menor grau é um problema e tanto para quem a defende, como o evolucionista-teísta [que, na verdade, ao meu ver, está com um pé lá e um pé cá, ou melhor, não está em lugar nenhum...].

O "racionalista-cristão" [e sou acusado de sê-lo, sem saber ao certo se sou], não anula parte da Escritura para adequá-la aos seus princípios. No meu caso, afirmo o seguinte: a Bíblia não tem paradoxos, mistérios ou "pegadinhas", de forma que é possível compreendê-la e entendê-la completamente, pois é a revelação divina ao homem; o que, contudo, não quer dizer que isso vá acontecer dada a vastidão e riqueza dos propósitos de Deus, mesmo revelados limitadamente [no contexto revelacional específico da Escritura]; e por nossa natural limitação. Deus é infinito, e sua mente infinita, logo o homem, mesmo regenerado, permanece finito [assim como os anjos, p. ex], e o que de Deus se pode saber, somente é possível pela graça divina de revelá-lo ao homem. E ela será revelada em maior ou menor grau também aos eleitos. Muitos serão salvos sem a necessidade de conhecerem toda a doutrina cristã, e outro tanto será salvo conhecendo todos os detalhes da doutrina cristã. Mas fato é, para mim, que tudo o que Deus quis nos revelar está lá, na Bíblia, sem artifícios. E uso o termo como um ardil, astúcia, mesmo. E Deus jamais agirá assim.
[continua...]

Jorge Fernandes Isah disse...

[...]
Para resumir, minha posição é: Deus não é paradoxal, a Bíblia não é paradoxal; o homem, em suas limitações [antes e depois da Queda] é quem cria os paradoxos e os justifica na própria ignorância. O mistério tem muito mais um efeito "justificador" para a debilidade humana [e eu bem poderia apontá-lo como racionalismo]. Não reconhecer as respostas que o próprio Deus dá ao homem, parece-me um ato de soberba e arrogância intelectual, ao invés da pretensa piedade que se tenta transparecer. Parece-me que há um certo ar de sofisticação e "alta" espiritualidade em toda essa questão do paradoxo ou antinomia, e quem assim não pensa, será exilado aos degraus mais baixos do degredo espiritual, como alguém que tem uma "Cosmovisão Cristã" deficiente. O mesmo que dizer que ele é um renegado, e se deve ter cuidado, mantendo-se a distância. Como sou dramático, entenda os meus "exageros" como operísticos, sem pensar que a questão toda é um drama em si mesmo.

Outra coisa, não é preciso ler Van Til para se ser um Vantiliano. Boa parte dos reformados mundo à fora [em especial os brasucas] parecem-me defender as suas ideias, ainda que a maioria não tenha lido uma linha do teólogo/filósofo holandês. Portanto, não é preciso lê-lo para se saber que o seu pensamento está entranhado na mente reformada brasileira [o que nos interessa, no momento]. Eu mesmo, pensava muito parecido com o Clark [não com a clareza e profundidade do mesmo, claro], sem tê-lo lido, e quando o descobri, apenas tive a certeza de que não estava louco, pois os irmãos e pastores mais experimentados na fé nunca me davam uma resposta além da não-resposta: é um mistério! O que não me satisfazia, ainda mais quando eu me aproximava com um batalhão de versículos e passagens bíblicas das quais não queriam saber nem tomar conhecimento. Isso me intrigava, pois, que negócio é esse de crente que seleciona o que deve ou não deve ler na Bíblia?

Bom, sei que a questão aqui é mais filosófica, mas com consequências teológicas, pois se elas não acontecerem no campo doutrinário, não há o que se discutir entre irmãos e sobre cosmovisão cristã. Mas acho que já dei material demais para você me "trucidar", então, paro por aqui [rsrs].

Grande abraço!

Cristo o abençoe!

Felipe disse...

Caro André,

Não pretendo entrar em uma discussão com você. O assunto é interessante, mas debater (mesmo que amistosamente) via blogs não me apetece nem um pouco.

Por que estou comentando aqui então? Apenas para esclarecer quatro coisas.

1) Sobre o texto do Phil Fernandes. Esteja ele errado ou não, é bom lembrar que ele é um crítico de Clark e de Van Til. Ou melhor, ele é um crítico do pressuposicionalismo, defendendo a apologética tradicional. O que estou fazendo é simplesmente dar uma informação, para que as pessoas não pensem que se trata de um seguidor ou admirador de Clark, tentando eximir o seu mestre.

Link para os textos:

http://instituteofbiblicaldefense.com/tag/gordon-clark/
http://instituteofbiblicaldefense.com/1997/05/cornelius-van-til/

2) Quando eu disse que Clark é "crente na absoluta inerrância e suficiência da Bíblia" e, portanto, não é racionalista, estava obviamente usando o termo no sentido mais comumente utilizado: alguém que considera a razão suprema, alguém que coloca a razão acima de Deus e da Bíblia, etc.. Dizer que ele é presbiteriano com certeza não excluiria a possibilidade de ser racionalista, pois temos presbiterianos de todo tipo, infelizmente. Mas ao dizer que ele é "crente na absoluta inerrância e suficiência da Bíblia", creio que a impossibilidade ficou evidente.

Embora eu sabia que outros usam o termo racionalismo para designar outras posições, não vi razão para explicar o sentido no qual estava usando o termo. O motivo é que eu creio (embora, talvez, de forma errônea) que o sentido no qual estava usando o termo é o mais comum, o que vem à mente quando alguém se depara com o termo. Logo, espera-se que aqueles que usam o termo em outro sentido apresentem a sua definição do termo (algo que você talvez tenha feito, pois li poucos dos seus textos sobre o assunto), e não nós.

Felipe disse...

3) Embora eu tenha escrito o meu texto por causa de um texto (nem lembro qual) que li no seu blog, com certeza não tentei refutar os seus argumentos. Um dos motivos é que, como falei, não li todos os seus textos, e dentre os que li, limitei-me a pequenos trechos. Fui para casa pensando no assunto e quando cheguei lá escrevi o texto ora debatido. Tratou-se de uma tentativa de expressar algumas implicações que vislumbrei na postura de certos irmãos no que concerne à resolução de alguns "mistérios". Foi um texto escrito às pressas e talvez por isso esteja tão ruim. rsrs

Os nomes realmente não importam, pois aquilo sobre o que eu estava falando não é defendido só por você. Vários pastores e teólogos, conhecidos ou não, brasileiros ou gringos, defendem a mesma coisa: a conciliação da soberania divina e da responsabilidade humana é um mistério, uma contradição, etc. Por causa disso, os nomes poderiam muito bem ser Sproul e Packer. A diferença é que, embora Sproul com certeza discorde de Clark nesse e em outros aspectos, ele nunca chama Clark de racionalista. E ele cita Clark com muita frequência! (o falecido John Robbins dizia que tinha uma gravação na qual R. C. Sproul, respondendo à pergunta de quais teólogos do século XX continuariam sendo lidos após 500 anos, disse: Gordon Clark!).

4) Outro motivo que me desmotivou a travar um debate sobre o assunto é que lembrei que muitos outros teólogos já foram considerados racionalistas por outros teólogos de respeito. Um caso clássico é o grande presbiteriano Charles Hodge, que muitos consideram o maior teólogo americano, maior que o próprio Jonathan Edwards. Hodge é acusado por inúmeros pastores e teólogos de racionalista, inclusive pelo Dr. Lloyd-Jones. Com certeza o velho Doutor também lançaria a mesma acusação contra mim e Clark, pois a Teologia Sistemática do Hodge é uma das minhas preferidas e Hodge é um dos teólogos que Clark mais cita e elogia, embora com críticas eventuais. Ou seja, Clark não foi o primeiro e com certeza não será o último a ser chamado de racionalista, mesmo por seus irmãos dentro da tradição reformada.

Bem, é isso.

Um abraço,
Felipe Sabino

P.S.: Perdão por esse comentário escrito às pressas. Sem tempo de reler e arrumar as ideias soltas.

Roberto Vargas Jr. disse...

Puxa!
Postagem e comentários dariam muito o que falar. Mas vou me conter e reduzir o mais que puder...

Não concordo que o evolucionismo é antibíblico. Concordo que tal como está o é, com toda a carga do naturalismo filosófico. Não que eu minimamente defenda algum tipo de evolucionismo ou mesmo que possa encontrar um que seja não naturalista. Apenas que não descarto a possibilidade, digamos, bíblico-racional de tal realidade, se for realidade. E acrescento que duvido que seja.

Sobre a definição de "racionalismo", há por certo várias acepções. O problema é cada qual ter a sua por certa sem considerar a alheia. Isso vai ficar num "é x não é" sem sentido algum. Uma atitude mais disposta de lado a lado é necessária.
Bem, aguardemos os próximos posts.

Porém, tenho visto com maior frequencia do que era de se esperar a confusão entre racionalismo e racionalidade. Em situações e por motivos diversos li isso do Felipe (que eu tomei por divertida ironia), do Roger (de quem não se pode esperar muito mesmo) e do Ednaldo (em tons de "refutação", e com o aval do Jorge, o que, sim, é algo que me preocupa). E, em muitos casos, mesmo que outra definição seja dada, como feito aqui, ainda se argumenta como se o uso da razão fosse o racionalismo (não que aqui se tenha feito iss;, pode ser, mas não é meu ponto). Esta confusão é por demais infantil e, por isso mesmo, preocupante.
Como preocupante é a falta de rigor de quem confia tanto na razão. Na verdade, acho mesmo é que é esta falta de rigor que leva a muito deste racionalismo. Mas isso já é outra história.
Aqui vale dizer apenas que se pode ser ou não ser racionalista de um ou outro modo, conforme se define "racionalismo", mas que de forma alguma podemos deixar de pensar. E, também, que pensar com rigor, ou ao menos tentar, não é racionalismo de forma alguma!

NEle,
Roberto

Jorge Fernandes Isah disse...

Roberto,

sobre o evolucionismo, ele compromete doutrinas claramente bíblicas como a Queda, o pecado e a morte como consequência do pecado. E esses pontos são fundamentais na doutrina cristã. Por isso, faz-se necessário transformar, principalmente, os primeiros 11 capítulos de Gênesis em "contos-da-carochinha", os quais têm apelos somente morais, não históricos e reais. Ou seja, isso me parece o ápice do racionalismo, quando o homem se considera superior ou capaz de julgar a Palavra de Deus [e por tabela o próprio Deus]. É muita autoconfiança e segurança vindas de seres inconstantes, falíveis, limitados e finitos como o homem, ou ainda pior, dos métodos criados pelo mesmo homem.

Sobre o texto do Ednaldo, entendi que houve um ato falho na construção do segundo parágrafo, quando ele pretendia referir-se ao racionalismo ao invés de se referir à racionalidade. Pelo menos, entendi que era sobre o racionalismo que ele estava falando, mas pode ser uma intervenção arbitrária a minha [rsrs], como se estivesse forçando o texto dele... mas foi o que entendi, e o que me parece ter desejado dizer, o Ednaldo.

Grande abraço!

Cristo o abençoe!

Roberto Vargas Jr. disse...

Meu caro Jorge,

Não é necessário fazer do texto bíblico fantasia para aceitar o evolucionismo. Volto a dizer: não este evolucionismo vindo do naturalismo filosófico, mas, se o evolucionismo for verdadeiro, então há alguma forma dele que seja bíblico-racional. Eu não conheço, mas não me fecho à possibilidade.

Quanto ao texto do Ednaldo, houvesse ele escrito "racionalismo" ao invés de "racionalidade", apenas ampliaria a convicção de confusão.
Fato é que quem critica o racionalismo não está a criticar o "uso exagerado" da razão (bem, pelo menos aqueles que criticam como eu critico, e os que tenho visto criticar). O que se está a criticar é a confiança exagerada nas possibilidades da razão.
Sem esta distinção, o que se faz, como no texto do Ednaldo, não é mais que uma birra sem significado algum para quem critica.

Acho sim que você é um tanto "benevolente" com textos como o do Ednaldo (e o último do Sabino), e que não deveria. Mas, dado que você sempre nos lê aos outros bastante respeitosamente, não tomo tal "benevolência" por mal.

NEle,
Roberto

Jorge Fernandes Isah disse...

Roberto,

sobre evolucionismo, é o que tenho dito: entre rasgar alguns capítulos de Gênesis, literais e históricos, prefiro me afastar de qualquer especulação que me leve a cogitar isso, ou seja, não quero nem saber!
Não é preciso fantasiar a Bíblia para se crer no evolucionismo, desde que não se creia nela. O problema está em se crer nela e crer no evolucionismo. Há um conflito, e, por isso, os evolucionistas-teístas descartam os fatos narrados em Gênesis. Pergunte a qualquer um deles o que lhes parece a Criação como narrativa bíblica. Dirão um monte de coisas, menos que é literal e histórica.

Sobre ser benevolente, não o sou. Posso ter um caminhão de defeitos, e os tenho, mas não me interessa entrar em joguinhos. Se reproduzo os textos, não somente do Ednaldo e do Felipe, diga-se de passagem, é porque os considero dignos de serem reproduzidos. Se há alguma falha não é de caráter [a "benevolência" em si não é um pecado, é-se ter boa-vontade, mas fico pensando: por que ter boa-vontade para com alguém que está errado?]; pode ser ingenuidade, ignorância, ou burrice. Não sei, especificamente, ao que você quis se referir, já que você colocou-a entre "aspas". Pode ser até mesmo má-fé, mas como você disse que não a toma por mal, esta hipótese está descartada.

Como prova, tenho dezenas de postagens em meu blog sobre o assunto, abordando-o na mesma ótica que o Ednaldo e o Felipe; e o que pode haver é simplesmente uma concordância de ideias, as quais acredito e defendo [veja bem, não estou falando de particulares, mas no geral, visto que em muitos detalhes temos visões diferentes. Por exemplo, a questão do livre-arbítrio de Adão que o Felipe defendeu em seu último texto, e com a qual não concordo].

Quanto ao texto do Ednaldo, eu me referi ao segundo parágrafo como um todo, e não especificamente à troca de palavras, de racionalidade para racionalismo. É a esses particulares, e rigores, que não me apego, e que parecem, muitas vezes, ser picuinha sua com os outros.

Como a minha cabeça é minha, e não do André, do Roberto, ou do Felipe, vou no que acho necessário e descarto o que não considero; você, e qualquer um, pode questionar a minha inteligência, conhecimento, ou a capacidade de atravessar a nado o Canal da Mancha, mas questionar minhas intenções parece-me depositar confiança demais na razão, não?

Abraços.

Roberto Vargas Jr. disse...

Jorge,

Não entendi muito bem sobre o que está falando, mas não parece que é do meu comentário. Pelo menos não de como o fiz.

Sobre o evolucionismo, bem, não é preciso rasgar nada, nem é preciso descrer, nem é preciso seguir os evolucionistas teístas que você conhece.

Sobre o texto do Ednaldo, eu também me refiro ao parágrafo todo e a troca de termos que não houve é apenas o que há de mais emblemático nele. Pelo que, se há rigor meu, não é por isso. Quanto à picuinha, só posso dizer que lamento se é o que pode ver.

Sobre o resto nem sei muito o que dizer. Estou um tanto é perplexo. Chega até a ser absurda a ironia de você considerar que questiono suas intenções tendo eu pouco antes elogiado seu caráter ao André. Mas não o chamo por testemunho, se você não confia em meu julgamento sobre seu caráter, só posso em tristeza lamentar.
O entre aspas do benevolência foi só para indicar que eu não usava o termo propriamente. É claro que você concorda com quem você indica. E, nestes casos, que discordamos. Sua "benevolência" está em estar muito em acordo com quem discordo. E eu acho que você não devia discordar, o que é óbvio por minha discordância. Mas você é sempre respeitoso com um discordante como eu, exceto agora por ter se ofendido eu ainda não sei com que.

Também não entendo o que você quis dizer por confiar demais na razão e então calo a respeito.

Por fim, gosto muito de brincar, e mesmo de provocar e ser provocado nestas brincadeiras. Mas duvido que eu gosto disso que você nomeou "joguinhos". De novo, porém, lamento se é isto o que você vê.

NEle,
Roberto

Roberto Vargas Jr. disse...

Ops, onde se lê "acho que você não devia discordar", leia-se "acho que você não devia concordar".

Emerson Campos Pinheiro disse...

Caro André, a série está muito boa. Espero ansioso pela continuação e também pela exposição de sua visão sobre soberania de Deus e determinismo. Você autoriza a reprodução desse texto?

André disse...

Caros Jorge, Felipe e Roberto,

Como eu disse em comentário ao post anterior, não responderei a argumentos levantados em torno de meus textos enquanto a publicação deles não terminar. Até lá, portanto, apenas agradeço a participação de vocês, que me será útil dentro de alguns meses.

Caro Emerson, obrigado. Falar sobre soberania de Deus e determinismo está nos meus planos, e já estou devendo isso a várias pessoas. Mas isso deverá demorar pelo menos alguns meses. Conto com sua paciência. Pode reproduzir o que quiser, linkando o texto original para que seus leitores possam, se quiserem, chegar até aqui.

Abraços a todos!

Jorge Fernandes Isah disse...

André,

fiz o seguinte comentário no blog do Roberto, em sua última postagem, o qual considerei deixá-lo aqui, caso você o considere procedente, em especial, para aqueles que ainda não são leitores assíduos do Roberto Vargas.

Abraços.

******

"Roberto,

prometi a mim mesmo não mais entrar neste debate, apenas ler e refletir naquilo que os irmãos argumentarem e proporem, e quando necessário, publicar o que considerar bom para ser publicado [como já lhe disse, no geral, não no particular].

Entendo que este debate está trilhando mais o campo pessoal do que o desejado, e tenho percebido não apenas um confronto de ideias mas entre pessoas [as ideias têm sido o "mote" para se atingir o indivíduo].

Sei que todos somos tolos [a humanidade em geral, e eu em particular], mas penso que muitas vezes afirmar isso de fulano ou beltrano, ainda que seja possível incluir a si mesmo no rol dos tolos, é um escamoteio para a agressão gratuita. Que cada um esteja consciente da sua própria tolice, sem que eu seja o alardeador daquilo que vejo em mim mas aponto basicamente no outro. Como se a minha confissão servisse muito mais para revelar a tolice alheia do que a minha própria; um subterfúgio para eu acusá-la mais fortemente no outro do que em mim mesmo. Com isso não estou-lhe chamando de caluniador, detrator, etc, porque está a revelar uma verdade, o problema é que ela parece mais visível no outro do que em mim mesmo, e nisso, penso, há um grave erro de perspectiva, o que vale dizer que a capacidade de autoreconhecer a minha tolice faz-me um tolo superior ou menor [em tolice] do que aquele que não é capaz de reconhecê-la.

Penso, também, que a definição de termos é necessária, especialmente no que se refere aos temas ou discussões apresentadas.

Penso que uma ferida se abriu e que me parece distante o momento em que será curada... vejo-a apenas pululando e sangrando.

Penso que sou responsável por boa parte dela, e de que devo evitar aumentá-la, ainda que possa me trazer um prazer e o sentimento de vitória a cada estocada em que atinjo o alvo...

Penso que, em tudo, devemos ser prudentes, comedidos, e sábios. Ao menos, devemos buscar cada um deles, para não sermos incluídos no rol dos tolos, mas, sobretudo, para não permanecermos nele. Há orgulho, muitas vezes, quando afirmamos nossos defeitos sem o arrependimento necessário para odiá-los.

Sei que nada do que estou dizendo tem a ver diretamente com a sua postagem, com o tema dela, que foi uma refutação ao texto do Ednaldo; mas falo isso por causa do termo "picuinha", uma palavra infeliz que eu disse num momento infeliz, em que a minha tolice atingiu o ápice da estupidez. Arrependo-me do que disse, mas não adianta eu ficar sempre me arrependendo do que disse e continuar a dizê-lo. Então, não o direi mais; e oro a Deus para não recair nesse pecado.

[Continua...]

Jorge Fernandes Isah disse...

[...]

Porém, fica-me ainda a impressão de que há uma certa "birra" de você com alguns de nós; e de que por mais que silenciemos ou falemos, a birra continuará. É uma impressão, que pode estar equivocada, mas a qual sinto, vez ou outra, lendo-o [o que, definitivamente, não quer dizer que seja algo presente em sua escrita].

De certa forma, temos todos, cada um ao seu jeito e intensidade, sido arrogantes, belicosos, e pouco amorosos. Podemos dizer que a nossa exortação é por amor [seja à verdade, a Deus, aos irmãos], mas tenho lá as minhas dúvidas, que no meu caso, é uma certeza.

Tenho orado e meditado em tudo isso, esperando que Deus traga-nos à unidade em Cristo, como membros que se auxiliam, sustentam, confortem e consolem mutuamente, ainda que as ideias e posições não sejam as mesmas.

Posso amá-lo ainda que você seja um "misterioso", assim como você pode me amar mesmo eu sendo um "racionalista", ou, é impossível? E essa pode ser a nossa vitória: ao invés de darmos vazão à carnalidade, mostrando-a publicamente, exercitemos a espiritualidade, e deixemo-la à vista de todos, para a honra e glória do Senhor, para a vergonha do nosso inimigo comum.

Bem, desculpe-me o desabafo e confissão, mas tenho me afligido e angustiado com o rumo que as coisas têm tomado... Espero que haja paz, a paz que excede todo o entendimento, a qual, como você disse, é um mistério.

Cristo o abençoe!

Abração!"

Roberto Vargas Jr. disse...

Segue minha resposta ao Jorge, lá do RVJ:

Jorge,

Não posso dizer que não me entresteci com seu comentário. Não este, mas o outro. Você sempre foi muito razoável, por mais que discordante. Mas não lá. Não comigo. Você deve ter suas razões. Bem, eu não as compreendo. Mesmo que estejam ditas agora aqui. Ou ainda mais se estiverem.

Quanto aos demais, não tenho birra alguma. Qualquer um que argumente, certo ou errado, em respeito, terá respeito de volta. Mas a qualquer orgulho não posso responder senão com desprezo. Se o desprezo parecerá orgulho em resposta, pois que pareça. Isto não me preocupa minimamente.

E, veja, tudo se iniciou com um texto meu que falava puramente de lógica, pois era a lógica que o autor chamava em seu favor. E pela lógica ele falhou. Apenas alguns poucos tentaram se manter neste trilho e a estes respeitei. Mas a quem me voltou com ofensas, desonestidade intelectual ou cegueira voluntária, a estes respondi como a eles convém. Sim, uma resposta pode ser branda. Mas a resposta dura também é uma resposta.

Este meu último post foi de fato pessoal. Os demais não. Nem mesmo aquele em que mostrei o discurso acusador contra mim. Em todos eles, exceto no primeiro, minha tristeza está presente, até mesmo naquele em que me diverti com uma pequena ironia. Mas este é o único em que me coloco nú. Gostaria que isto fosse significativo, pois este texto é bem diferente dos demais. Mas suponho que eu seja incapaz de mostrar isso que gostaria.

Sabe que o amo. De um amor que não é sem afeto de forma alguma. Nenhuma palavra de qualquer outro me machucou, exceto a sua. Não digo isso para que se desculpe ou tenha maus sentimentos. Digo porque é verdade. Já disse que a única opinião que me importa, além da do Senhor, é a daqueles Seus servos que me conhecem e se importam comigo, verdadeiramente. Dói saber que você, que me conhece e, creio, importa-se, veja-me tão pequeno em ações e intenções. Posso, talvez, exagerar no desprezo aqui e ali, mas, quanto a irmãos, não sou tão duro sem um fim que é mais didático que qualquer outra coisa.
Sei bem: esta é a minha esperança de tolo, a de que de algum modo eu tenha sido didático. Entristeço-me, mas temo não poder me livrar desta tolice.

Quanto à exaltar a tolice em mim para atingir outrem, bem, isto é algo que me foge completamente à intenção. Digo de mim o que sei ser. Dos outros o que eles mostram a mim. Destes dois casos o único que afirmo ser crônico é o meu, pois sei quem sou. Os outros não sei. E isso seja com eles, não comigo.

Bem, agora foi minha a vez de desabafo e confissão. Temo que eu tenha sido por demais disperso.

Ainda... Que Deus tenha misericórdia de nós!
NEle,
Roberto

Leonardo Bruno Galdino disse...

André,
estou passando aqui apenas para dizer que li seu texto e todos os comentários, sobre os quais ainda estou refletindo. Estou postando do celular - portanto, sem condições de me prolongar aqui. Basta dizer, por ora, que o texto está muito bom, o que só aumenta a minha ansiedade pelos próximos.

Grande abraço!

André disse...

Caro Jorge,

Publiquei seu comentário, bem como a resposta do Jorge, mas creio que convém fazer um esclarecimento. Considero procedentíssimo seu auto-exame, bem como sua preocupação com as ênfases pessoais que esse debate pode assumir ou tem assumido em alguns casos. Também não aprovo completamente a conduta do nosso amigo Roberto. Mas não posso deixar de notar que, em termos de pessoalidade (no mau sentido do termo, pois há um sentido bom), o Roberto está perdendo de goleada para seus detratores. De modo que espero que você também tenha notado isso e feito sua advertência com a ênfase correspondente também ao outro lado - de preferência de forma pública, como fez com o Roberto. Com relação a mim, não sei se foi sua intenção incluir meus posts ao dizer que "Entendo que este debate está trilhando mais o campo pessoal do que o desejado, e tenho percebido não apenas um confronto de ideias mas entre pessoas". De qualquer modo, convém esclarecer que de nada me acusa minha consciência diante de Deus, e que não fiz o que estou fazendo sem muita oração e pesar. No meu entender, houve momentos nesta história em que suas palavras acima teriam sido mais oportunas.

Caro Leonardo, obrigado pelo incentivo.

Abraços a todos!

Felipe disse...

Caro Jorge,

Excelente ponderação.

Infelizmente, eu sou culpado desse pecado que você mencionou.

Embora não carregue mágoa de ninguém (não é do meu feitio), fui ignorante e intolerante com muitos por diversas vezes, inclusive com o André.

Portanto, a todos os irmãos envolvidos nessa controvérsia, em especial ao André, eu estendo o meu pedido de perdão.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Felipe Sabino

Esli Soares disse...

Puxa, que coisa boa ler esse pedido de perdão do Felipe!

Deus seja louvado!

Esli Soares

André disse...

Caro Felipe,

No que me diz respeito, é uma alegria perdoá-lo. Graças a Deus pelas oportunidades que agora se abrem. Que Ele nos permita aproveitá-las bem.

Um grande e feliz abraço!

Jorge Fernandes Isah disse...

André,

a minha ponderação é geral, mas como disse ao Roberto, lá no RVJ, eu sou o alvo principal delas. A questão é que me gastei desnecessariamente com o Roberto, por causa do nosso diálogo aqui, e fica parecendo que estou dizendo apenas a ele; de que eu esteja usando o pronome "nós" como um escamoteio para atingi-lo. Não é isso. O "nós" vale para todos, em menor ou maior grau, pois as "fustigadas" parecem-me vir de todas as direções.

O que espero, sinceramente, é que todos possamos discutir, discordar, debater, mas sabendo que estamos a tratar com irmãos e amigos. Eu mesmo custei a perceber isso, embaçado pela visão de mim mesmo. E é o que acontece, de uma forma geral, nos debates.

Mas já disse algumas vezes, cada um é responsável por si mesmo perante Deus e o próximo; e a reflexão e o arrependimento são individuais.

Felipe, que possamos nos arrepender dos nossos pecados, odiá-los como pecados que devem ser odiados, e não cometê-los mais. Fico muito feliz com a sua atitude.

Abração a todos!

André disse...

Caro Jorge,

Eu estava agora há pouco dizendo a alguém que apreciei muito seu segundo comentário lá no blog do Roberto. De algum tempo para cá, de inúmeras maneiras, Deus tem me chamado a atenção para essa mesma questão. Fico feliz em ver que estamos todos progredindo na mesma direção.

Abraços!

Felipe disse...

Obrigado Jorge e Esli e muito obrigado André.

Quase chorei lendo os comentários!

Que Deus nos guarde.

André disse...

Caro Felipe,

Bem-vindo ao clube dos chorões reformados. hehe

Abraços!