5 de fevereiro de 2007

Assalto ao velho restaurante

Eu disse a alguns amigos na semana passada que meu próximo post seria destinado a criticar o Chico Buarque. Mas andei pensando melhor a respeito, e acho que não é bem isso o que vou fazer. Não que eu tenha mudado de idéia quanto ao conteúdo do texto. Apenas pensei melhor sobre o mesmo e concluí que é mais correto dizer que vou fazer um grande elogio ao Chico. Considero que ele tem seus pontos positivos e também seus pontos negativos. O principal ponto positivo é seu talento como compositor, tanto pelas letras quanto pelas melodias. O principal ponto negativo normalmente aparece quando ele passa a dar opiniões sobre assuntos que fogem à sua especialidade. Pelo menos é o que me parece a partir do que já chegou dele aos meus ouvidos, tanto num caso quanto no outro.

Mas eu estive há algum tempo refletindo sobre uma de suas músicas, e cheguei à conclusão de que há algo ali que é simplesmente genial. Refiro-me à famosa e polêmica Geni e o zepelim. É uma das músicas mais inteligentes que já ouvi na vida, muito embora seu vocabulário seja propositalmente vulgar. Apesar de eu não gostar muito disso, considero que nesse caso até cai bem, combinando perfeitamente com o tom satírico e com a mensagem transmitida. Mas vamos ao que interessa. Coloquei a letra aí embaixo para quem porventura não a conheça. Em seguida, farei uns poucos comentários a respeito da mesma.

De tudo que é nego torto
do mangue e do cais do porto
ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
dos cegos, dos retirantes,
é de quem não tem mais nada.

Dá-se assim desde menina,
na garagem, na cantina,
atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,
das loucas, dos lazarentos,
dos moleques do internato.

E também vai amiúde
com os velhinhos sem saúde
e as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade,
e é por isso que a cidade
vive sempre a repetir:

"Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

Um dia surgiu brilhante,
entre as nuvens flutuante,
um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,
abriu dois mil orifícios
com dois mil canhões assim.

A cidade, apavorada,
se quedou paralisada,
pronta pra virar geléia.
Mas do zepelim gigante
desceu o seu comandante
dizendo: "Mudei de idéia!

Quando vi nesta cidade
tanto horror e iniqüidade
resolvi tudo explodir.
Mas posso evitar o drama
se aquela formosa dama
esta noite me servir."

Essa dama é a Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

No entanto logo ela,
tão coitada, tão singela,
cativara o forasteiro.
O guerreiro tão vistoso,
tão temido e poderoso,
era dela prisioneiro.

Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela -
também tinha seus caprichos.
E a deitar com homem tão nobre,
tão cheirando a brilho e a cobre,
preferia amar com os bichos.

Ao ouvir tal heresia,
a cidade em romaria
foi beijar a sua mão.
O prefeito de joelhos,
o bispo de olhos vermelhos
e o banqueiro com um milhão.

"Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar!
Você vai nos redimir!
Você dá pra qualquer um!
Bendita Geni!"

Foram tantos os pedidos,
tão sinceros, tão sentidos,
que ela dominou seu asco.
Nessa noite lancinante
entregou-se a tal amante
como quem dá-se ao carrasco.

Ele fez tanta sujeira!
Lambuzou-se a noite inteira
até ficar saciado.
E, nem bem amanhecia,
partiu numa nuvem fria
com seu zepelim prateado.

Num suspiro aliviado,
ela se virou de lado
e tentou até sorrir.
Mas logo raiou o dia,
e a cidade em cantoria
não deixou ela dormir:

"Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

A primeira coisa a ser notada, e que considero mais interessante, é o fundo moral dessa história. Podemos descobri-lo facilmente fazendo abstração, por um momento, de todas as particularidades e focalizando nossa atenção nos aspectos essenciais da narrativa. Contada dessa maneira, ela fica assim:

Era uma vez um lugar cheio de gente perversa, soberba e hipócrita. Um dia, porém, um ser poderoso decidiu dar um basta nisso e punir merecidamente todo mundo por suas respectivas maldades. Em meio àquele povo existia apenas uma pessoa justa e boa, e era a única que poderia fazer algo para salvá-lo. Havia duas dificuldades, porém. Primeira: a pessoa em questão era odiada e desprezada por todo mundo, justamente por sua virtude superior. Segunda: ela só poderia trazer salvação através de um grande sacrifício pessoal. Amorosa e humilde como ela só, renegou todas as ofensas anteriores e desempenhou corajosa e resignadamente seu papel sacrificial em prol de todos aqueles seres cruéis e desprezíveis. Mas, longe de comover aqueles corações duros, o ato só suscitou ainda mais desprezo e ódio por parte deles. E, presumivelmente, todos viveram infelizes para sempre.

Alguém conhece essa história? Todo mundo, é claro! Dando os devidos nomes às pessoas envolvidas e ao contexto, essa é a narrativa (ou melhor, a parte mais importante dela) sobre a qual foi construída a nossa civilização ancestral, cujos fundamentos morais, mesmo que não percebamos isso, ainda conservamos parcialmente. Pois bem, o primeiro fato para o qual desejo chamar a atenção é esse: Chico Buarque pegou uma velha história, de significação profunda para a alma ocidental, despiu-a de suas particularidades e preencheu-a com outras. O valor moral da letra foi diretamente tomado de empréstimo do cristianismo.

Acredito que não é grande o número de pessoas que percebem esse fato; mas isso não é tudo. Chico pegou a história dos evangelhos e fez-lhe umas modificações. A próxima questão que surge é: o que ele faz com essa adaptação? Seria ele um padre ou pastor disfarçado, pregando subliminarmente a doutrina cristã aos seus ouvintes? A realidade está muito longe disso. O critério de moralidade defendido na música não é cristão, e sim marxista. A bondade da heroína está no fato de que ela faz de tudo pelos pobres, marginalizados e excluídos pela sociedade, não importando que o faça por meios inteiramente imorais segundo os critérios da doutrina cristã. Sua virtude consiste unicamente em dar aos pobres (no mais popular sentido desse verbo) e em desprezar os demais. E quem são os principais adversários de tamanha bondade? O poder político constituído (a maldita direita, como todos sabem), o cristianismo (prestem atenção nisso) e o capitalismo (que não vem muito ao caso no momento), personificados pelas figuras do prefeito, do bispo e do banqueiro.

De quebra, Chico ainda faz uma eficiente apologia da idéia de que não há nada de errado na libertinagem sexual. Não, é claro, que a música forneça algum argumento em favor dessa tese. Esse tipo de coisa é normalmente defendido sem qualquer argumento, e o artista em questão não foge à regra. O expediente usado aqui, e em muitos outros lugares, é simplesmente o de insistir na comparação de um defeito moral pequeno com um grande, a fim de que o ouvinte se enfureça com o segundo e, por contraste, acabe se acostumando a não dar muita importância ao primeiro. A afirmação de que o orgulho e a hipocrisia são doenças espirituais muito mais graves que a mera promiscuidade sexual é, em si mesma, perfeitamente cristã. Mas nosso compositor extrai daí a conclusão de que esta última é uma coisa inteiramente boa, especialmente se colocada a serviço dos apetites sexuais dos pobres.

Eis, em suma, o método usado por Chico Buarque para pregar seu novo evangelho: apropriar-se do conteúdo moral da velha doutrina e depois deturpá-la a fim de que possa ser usada contra sua própria fonte. E o compositor prega isso não só sem usar justificativa racional alguma, mas também de maneira muito bem camuflada. Sem chegar a compreender o que está acontecendo, o público acaba por engolir o engodo psicológico como se fosse a expressão máxima da autêntica moralidade. Isso faz com que eu me lembre daquela piada sobre o sujeito que, após comer fartamente num excelente restaurante, não só se recusou a pagar como também tentou convencer o gerente de que o garçom o roubara no troco. É o inadimplente, orgulhoso de sua miséria, negando a existência da dívida e exigindo que o credor lhe pague.

Esse é apenas mais um exemplo de algo que descobri há um bom tempo: a moral marxista é um mero parasita da tradição judaico-cristã. Mas trata-se de um parasitismo muito bem calculado e planejado, como tudo o mais na moderna revolução cultural. Provavelmente nem todos concordarão com o que estou dizendo. Mas não se pode negar, penso eu, que Chico Buarque é um propagandista genial a serviço de sua ideologia. É esse o elogio que eu tinha a fazer.

12 comentários:

Tiago Porangaba disse...

clap clap clap!
muito bom o post!

eu não conhecia a letra dessa música por inteiro e de quebra ganhei uma leitura sobre uma interpretação da mesma com embasamentos que fazem muito sentido.

muuuuito massa!
:D

Gustavo "o Lee" Gama disse...

Salve Andrezão, tudo bem truta ?

Realmente existe algo de genial nessa música, não só nela mas também na análise que você fez (sem puxação de saco hehe). Cara eu cresci ouvindo essa música e mesmo depois de conhecer melhor a história de Jesus e ouvir "Geni e o Zepelin" "n" vezes (sendo n >> 20), inclusive de um CD seu :) nunca, nem de longe, imaginei alguma coisa assim.

Estou surpreso pela história que está sendo recontada com a música e pela inteligência do compositor.

Outra coisa me chamou bastante atenção no seu texto é o finalzinho dele em que você conclui que a moral marxista é uma parasita da moral judaico/cristã.

Na sua juventude, Karl Marx foi um cristão convicto. Abaixo está reproduzido um dos seus primeiros escritos:

“União com Cristo é encontrado num companheirismo íntimo e vivo com Ele e no fato de sempre O termos diante de nossos olhos e nos nossos corações. E, ao mesmo tempo em que somos possuídos pelo Seu infinito amor, dirigimos os nossos corações aos nossos irmãos, com quem Ele nos une intimamente, por quem Ele Se sacrificou”.

Passados alguns anos Marx perdeu sua fé no cristianismo e se tornou ateu. Mas, inevitavelmente, sua visão de mundo foi influenciada pela cosmovisão judaico-cristã de uma maneira profunda.

Quanto ao parasitismo, ele é bem calculado sim, com certeza. Acredito que ele tenta dar uma solução para 2000 anos em que os cristãos não conseguiram por em prática um modelo de justiça social. 2000 anos em que eles tinham a solução, tinham a faca e o queijo na mão (além do Deus Todo-Poderoso) e fingiram que não era com eles...

Isso é uma especulação, não sei se era isso que passava pela cabeça do Marx enquanto ele elaborava sua análise/proposta de solução dos problemas sócio-econômicos que eram enfrentados por ele e seus contemporâneos.

É claro, que o Marxismo surgiu dentro de um contexto histórico único, o ápice da revolução industrial na europa. E deve ser analisado levando-se em consideração esse contexto. Mas isso é uma outra história...Talvez para um futuro "post"...

Acho que era isso....Forte abraço Andrezão !!!

Daniel Nérso disse...

Tá.. você fez eu gostar um pouco de Chico, pretendo escutar essa música quando chegar em casa.
E eu li o post inteiro sim!
Gostei muito da interpretação, vc acha q tudo o q vc disse passou pela cabeça do Chico?
Falowww

Bárbara disse...

Bem, eu adoro as músicas do Chico apesar de que todas me trazem melancolia.
Tenho duas coisas a falar sobre essa música, a primeira de que me lembrei na hora em que li é de que eu tive uma sogra chamada Geni, sempre evitava falar o nome dela para não lembrar do refrão dessa música e não cair na gargalhada, o que me causou muitos constrangimentos por incontáveis vezes; a segunda é que na minha interpretação o que mais me chamou a atenção é sobre a Hipocrisia das pessoas, e o jogo de interesses, não sei se Chico pensou em tudo isso antes de escrever a música caro André mas ela é atual ainda hoje, nosso espelho por isso as pessoas sempre vão acha-la genial, orgulho e hipocrisia fazem parte do homem desde que o mundo é mundo, então essa história sempre será contada só que com alguma diferença!

Obs: Querido!!! Muito bom seu blog...tô lendo sempre...bjão.

Flôr disse...

Maravilhosa interpretação!
Apesar de eu só ter concordado no final, quando você citou que o Chico defende sua ideologia, de forma camuflada..
Mas não acho correto da sua parte criticá-lo por uma letra, quando esta permite inúmeras versões. A versão do cristianismo me deixou bastante surpresa, admito, mas ainda assim ninguém pode afirmar, se não ele mesmo, que esta foi a intenção.
Como ocorreu, se não me engano, com Drummond na vez que um concurso admitiu certa resposta como a correta. O autor replicou dizendo que aquilo nem havia passado pela sua mente.

Enfim, interpretação é algo extremamente pessoal, não se pode julgar ninguém com base no que se pensa que é, mas sim, com base no que de fato é.

André disse...

Cara Flôr, muito obrigado pelos elogios. Quanto às críticas, tenho algumas coisas a dizer. A primeira é que, como você deve ter visto, meu amigo Nérso fez justamente essa pergunta: "vc acha q tudo o q vc disse passou pela cabeça do Chico?" Você não tinha como adivinhar, mas eu a respondi numa postagem posterior, chamada primeira colheita, publicada em 20/02/2007. Se quiser, dê uma olhada lá, pois nela eu comentei várias outras reações a essa minha análise. Quanto à pergunta do Nérso, respondi:

"Na verdade, não acho muito provável que o Chico tenha pensado nisso tudo. É bem possível que ele tenha se preocupado apenas em pregar o que achava certo, e talvez tenha sido ele mesmo a primeira vítima de sua própria peça de propaganda. Isso, é claro, não afetaria seu brilhantismo como garoto-propaganda do marxismo, de modo que meu elogio se mantém. Mas certamente isso diminuiria seu mérito intelectual no desempenho dessa tarefa."

Esclareço a você: pouco importa se o Chico fez o que fez intencionalmente ou não. A semelhança que apontei é real independentemente disso, e ela aponta para uma outra semelhança que é ainda mais real: a do parasitismo exercido pelo marxismo como um todo contra o cristianismo. Se o Chico tinha consciência do que estava fazendo, ótimo para ele; isso mostra que ele é um espertalhão. Se não tinha, péssimo para ele; isso mostra que ele não tem plena consciência do que faz. Para o restante da humanidade, no entanto, não faz diferença.

Dessa forma, não julguei o Chico pelo que penso que ele é. Julguei a música pelo que ela de fato é. Quanto ao Chico, nenhuma das duas opções disponíveis me permite um julgamento favorável.

Abraços!

Paulo Bruno disse...

Chico Buarque não seria tão previsível ao ponto de alguém poder afirmar: "Julguei a música pelo que ela de fato é."
Isso me pareceu bem arrogante.

Os censores da ditadura militar, antes da extinção do AI-5, também escreviam coisas desse tipo.
Existem inúmeras interpretação sobre esta e, tantas outras letras de Chico Buarque.

André disse...

Caro Paulo Bruno, se você acha que minha interpretação está errada, deixe de enrolação e prove que não há semelhança alguma entre a história de Geni e a de Jesus Cristo e que outras coisas que eu disse no post são inverídicas. Mas prove com argumentos, não com adjetivos e comparações com ditadores. Até que você faça isso, pouco me importa quantas interpretações existem ou o que você considera ou não arrogante.

André disse...

Caro Paulo Bruno, continuei pensando sobre seu comentário e decidi que vale a pena dizer mais algumas coisinhas a respeito. Você disse:

"Chico Buarque não seria tão previsível ao ponto de alguém poder afirmar: 'Julguei a música pelo que ela de fato é.'"

Em primeiro lugar, a previsibilidade do Chico está inteiramente fora de questão. Eu não previ absolutamente nada a respeito dele; apenas analisei uma de suas letras muito depois que ele já as havia composto. Suponho, portanto, que você quis dizer apenas que a mente de Chico Buarque é algo tão inefável que nenhum mortal é capaz de apreender a profundidade dos sublimes pensamentos que lhe passam pela cabeça. Nesse caso, cabe a você demonstrar isso; não vejo razão alguma para concordar. E, como eu disse no post, tenho razões para crer no contrário. Sua afirmação não me parece ser nada mais que uma idolatria besta.

Devo dizer ainda que o fato de existirem muitas interpretações da letra de "Geni e o zepelim" não faz com que sejam todas mutuamente excludentes. E, ainda que o sejam em alguns casos, isso não prova que são todas erradas ou subjetivas. Sua sugestão de que afirmar a veracidade de minha interpretação é arrogante e ditatorial é apenas uma concessão lamentável à estupidez relativista de nosso tempo, que me recuso a endossar.

Abraços!

Anônimo disse...

André, sou uns dos mais "tietes" e criterioso admiradorque do Chico Buarque e amei que tenha mais elogiado do que criticado negativamente o Chico Buarque e achei, ainda melhor, o que vi em seu genial artigo, sobre esa canção maravilhosa tanto na letra, quanto na melodia e, principalmente no esteio político que ela carrega, a genial transporsição ou compraração do Chico, trazendo fatos "literários" extraido do cotidiano de algum "lugar" ou "cidade" do passado ou do presente. E você exergou profundamente o "recado", pois na minha opinião, o Chico Buarque de Holanda deu um mergulho nos anos de 1970 quando quase toda arte era proibida e expressar-se era preciso ter o velho jogo de cintura. Para os que não sabem, somente como lembrete, o Chico teve que se passar por "Julinho da Adelaide", e o Raul Seixas, por "Rauzito", para poder gravar suas canções.

Um grande abraço poeta e professor, Choco Miranda.

André disse...

Caro Choco, fico feliz em saber que você viu algo bom em minha análise, mas talvez eu deva esclarecer algo sobre o que eu disse. Meu elogio ao Chico se limita à sua habilidade como artista, e nada mais. Não tenho um pingo se simpatia por suas posições políticas e culturais, não acredito nem em metade do que ouço sobre a repressão de outrora e não admiro Chico como pensador ou militante; nem ele, nem os que lutaram (ou lutam) do mesmo lado.

Abraços!

Roberta disse...

Essa música foi inspirada no conto Bola de Sebo de Guy de Maupassant. Interprete um que você interpreta o outro.